quinta-feira, 4 de julho de 2013

Em Defesa da Cultura Ocidental



Tem vindo a minha mente o que somos e d'onde viemos. Não biologicamente, mas tradicionalmente.
Nossas instituições, nossos valores, nossa sociedade.

Se queremos questioná-los, antes entendê-los.

Quando digo "nossa", refiro-me a nossa cultura ocidental. Aquilo que outros recalcados chamam de Eurocentrismo. Haverá no ocidente outro pólo de origem cultural e social no sentido mais elevado desses termos? 

Não. Homericamente pronunciado.

O melhor discurso que sintetiza nossas origens culturais é um pronunciamento do líder de um do pilares sobre o qual se ergueram nossa civilização, a Igreja Católica. Quer você goste ou não, sendo honesto intelectualmente, deve admitir a importância dessa instituição para a formação e manutenção do mundo ocidental. O discurso do Papa Bento XVI ao parlamento da Alemanha, no qual ele fala sobre a defesa da civilização ocidental é histórico e contundente.

Caso você seja contra a civilização ocidental e seus valores como a dignidade humana e a liberdade individual e não concorde com ela, tem ainda como opção uma das versões do socialismo, especialmente o chinês, ou a Irmandade Muçulmana.

Segue o vídeo, com uma dublagem horrível, que aconselho ser acompanhada por este texto da tradução.

Se não quiser ver tudo isso, seguem trechos das principais partes:

""O homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza, e a sua vontade é justa quando respeita a natureza e a escuta e quando se aceita a si mesmo por aquilo que é e que não se criou por si mesmo. Assim mesmo, e só assim, é que se realiza a verdadeira liberdade humana."

 "A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos Gregos e o pensamento jurídico de Roma. Este tríplice encontro forma a identidade íntima da Europa. Na consciência da responsabilidade do homem diante de Deus e no reconhecimento da dignidade inviolável do homem, de cada homem, este encontro fixou critérios do direito, cuja defesa é nossa tarefa neste momento histórico."

terça-feira, 25 de junho de 2013

Ilhas Dúvidicas no Oceano Certeziano

A série de postagens sobre as manifestações não pretender dar um parecer definitivo sobre o assunto, estamos muito próximos dos acontecimentos e com o tempo ficará cada vez mais claro o que ocorreu realmente. Mas ficam as impressões daqueles que veem a situação no calor do tempo que elas ocorreram.

Um PS nos posts anteriores e nas impressões dos levantes populares do Brasil em pontos:

 - A unanimidade da mídia em mostrar o quão pacíficas são as manifestações, e deixar bem claro a palavra minoria quando se trata de destruição de patrimônio alheio.

 - A unanimidade da mídia em declarar os movimentos como autônomos e apartidários.

 - A manifestações em 27 países de apoio as manifestações no Brasil.

Ora, vindo da grande mídia, e mesmo em outros meios, a unanimidade é sinal de alerta. Não pela surpresa, mas pelo que em cada situação essa unanimidade alega. O que significa essa unanimidade em torno da independência e pacificidade das manifestações? Todos os jornais, televisivos e impressos da grande mídia fazendo a mesma afirmação: independente, apartidário, espontâneo e pacífico. Dá pra acreditar que algum estudante da USP, como os lideres do MPL, engajados politicamente, aja com toda essa espontaneidade e autonomia?

Pode um movimento autônomo, espontâneo e independente ser tão coeso que outros 27 países têm movimentos em apoio por serem solidários à causa? Essa organização é espontânea? 27 paises com mobilizações espontâneas?

Sou eu que sou paranóico, ou meus caros e escassos leitores realmente acreditam nisso?




quinta-feira, 20 de junho de 2013

Extra! Democracia Vitima de Pedofilia!




Não se iludam os entusiastas com esse oba oba de "êba, somos cidadãos!". Agora a maioria não sabe para onde ir ou qual o próximo passo. Na verdade alguns sabem, porém não existe uma tradição de debates no brasil, o que faz com que os que simpatizantes sejam coadjuvantes enquanto os líderes guiam os movimentos. Se é que esses lideres aparecerão.

A infância democrática brasileira mostra a sua cara. Infância aqui tomada no sentido de algo novo e que precisa amadurecer, e não no sentido de "infantil" pejorativo. Saímos de um período de ditadura ( ditabranda segundo alguns), e ainda não aprendemos a usar essa ferramenta. Prova disso são as manifestações populares sempre usadas por partidos de extrema esquerda e a atual falta de direção ( no sentido de saber a onde ir) de um movimento sem partido (até que se saiba) que teve sucesso perante a população. Nossa fase democrática é mais nova ainda que nosso país, não maturou, não está no "ponto".

Um exemplo é a total impossibilidade das pessoas que se dizem engajadas politicamente, conscientes e não alienadas em que receberem qualquer tipo de critica. No texto anterior ouso penso os limites e problemas das manifestações acontecidas recentemente contra o aumento das passagens, bem como as esperanças e alertas das consequências. Mas os adoradores dos 20 centavos sequer precisam ler o texto para tecer comentários, no alto de seus tronos de sabedoria precisam apenas da frase que forma o título para ter uma opinião definitiva, a verdade em sua mais pura essência sobre o assunto. Outros levam as criticas pontuais para o lado pessoal e não admitem que se questione esse acontecimento, pois quem o faz, segundo sua elevada visão, assiste muito a globo e é a favor da opressão, e pessoas assim são desprezíveis. Clichês nos quais eu acreditava em minha adolescência e um fanatismo fundamentalista autoafirmativo de pseudo-atividade política.

Mais um exemplo da infância democrática do brasil é a total impossibilidade de questionar os Dogmas Estatais, tais como Cotas Raciais e a agenda GLBT. Isso, é claro, é potencializado pela mídia, que põe mais lenha no fogueira com seu típico sensacionalismo. Sensacionalismo ou instrumentos do status quo? No fim tem o mesmo efeito. O ponto é que não temos uma tradição de respeito a opinião alheia, indo na contra mão dos mais básicos preceitos para uma boa comunicação, somado com medidas outorgadas do governo que nada tem de democráticas (redundância necessária) temos como resultado um patrulhamento ideológico que criminaliza o pensamento de certos fenômenos.

A maioria das pessoas, infelizmente não percebem o qual sério é isso. A criminalização do debate é a coisa mais totalitária que existe nos na comunicação pois ataca o cerne da troca de idéias. Censura-se a ideia em sua semente, antes que criem frutos. E os temas são colocados de forma a incriminar quem pensa o contrário do que reza a cartilha da esquerda revanchista. As questões demandam respostas monossilábicas, ou você é a favor, ou você é contra. E ser contra é passível de ser crime. Imparcial a discussão não?

Outro exemplo disso é o espanto das pessoas com a suposta "cura gay aprovadas por Feliciano". É tão bom poder se expressar sem censura que as pessoas o fazem sempre que podem, mesmo diante de seu absoluto desconhecimento sobre o assunto. O que significa dizer que o seguinte pensamento é válido: se não puder falar algo proveitoso, fale qualquer coisa. O importante é falar algo, não importa quanta merda esteja sendo falada. Elas não sabem como anda o processo de aprovação, quem fez, com base no que, porém opinam assim mesmo.

Entender que a democracia é uma criança no Brasil é fácil. Entender que essa estado infantil está sendo violado pelo jogo político esquerdista também. Considerar e combater esse fenômenos são deveres de todos aqueles que se propõe a pensar e a fazer deste, um país melhor.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Quando R$0,20 Fazem o Que 50.000 Mortes Não Fazem.


A manifestação foi grande. Extraordinária para nosso país. Algo realmente pode começar a mudar, muitos sentem uma grande esperança, como algo muito marcante estivesse acontecendo, ou estivesse se gestando no momento atual. Algo épico, homérico, algo como uma panaceia para os males brasileiros.

Tenho minhas resistências. Conheci de perto o funcionamento de um desses movimentos, e com base nessa experiência tenho muita desconfiança do que ocorre na atual situação. A primeira coisa que salta a vista é o fato de que apenas centavos causarem tanto furor. Alguns leitores podem responder prontamente: mas não
são apenas os 20 centavos. O que seria então?

É triste ver que 20 centavos fizeram o que 50 mil mortes anuais não conseguiram. O que a maior carga tributaria do mundo não conseguiu. O que a palhaçada da política não conseguiu. O que a exclusão tecnológica causada pelas altas taxas alfandegarias e pela ostentação dos brasileiros não conseguiu.

A mídia mudou de lado. Primeiro, estava do lado da polícia por causa das depredações. Quando a polícia apertou o cinto, foi pra cima dela. Isto posto vamos para o outro lado a se informar, o dos manifestantes. A versão encontrada é de que apenas uma minoria depredou o patrimônio público. Os mais entusiasmados confiam na versão dos manifestantes. Outros acham que são todos vândalos, a versão não é válida. Eu, em nenhuma.

Mas por que 20 centavos fizeram o que as verdadeira calamidades públicas não fizeram? Ouso esboçar uma resposta.

Essa onda de pessoas, não são em sua maioria proletários, trabalhadores, são estudantes de classe média alta. Por que digo isso? Por que não precisam trabalhar. É simples, a imensa maioria das pessoas ativas profissionalmente não dispõem de tempo para sustentar tal protesto durante tanto tempo. Que fique claro que isso não altera a legitimidade de suas alegações.

Pelo fato de serem estudantes, estão mais atentos as coisas que ocorrem, e são constantemente instruídos conforme a cartilha esquerdista brasileira, que domina nosso ensino de humanas, de baixo até, principalmente, a academia. Isso resulta em jovens com temo livre e com muitas idéias de esquerda na cabeça. E justamente para pessoas com esse engajamento: por que 20 centavos fizeram o que as verdadeiras calamidades públicas não fizeram?

Por que foram manobrados. As lideranças estudantis são todas de esquerda, e apesar de suas rusgas, sobrevivem debaixo de uma mesma bandeira,  que permite uma "aliança estratégica" para alcançar determinados fins. Eles viram que a bandeira dos 20 centavos, exorbitada por um discurso de justiça social, violência policial e empresários inescrupulosos de alguma maneira deslocava mais gente do que as verdadeiras calamidades públicas.

Por quê? Ouso outra resposta. 20 centavos doem no bolso, ainda que sejam a maioria de jovens abastados, não estão acostumados a ouvir 'não' e terem qualquer tipo de liberdade podada, logo qualquer aumento é uma ofensa, já 50 mil mortes por ano dói só para os parentes das vítimas. 20 centavos doem no bolso por que se vê e ofende, mas não ofende os tantos meses de trabalho que vão direto para o governo. 20 centavos está mais fresco, a corrupção já faz parte da identidade nacional. E ter um Ipad para ter acesso a todas as oportunidades de conhecimento e cultura que a internet oferece é burguês demais, devemos lutar ara que todos vistam botas e macacões de operários.

É meio decepcionante ver tanta algazarra por 20 centavos, e uns normais gritando para o bando de loucos que formam o brasil que já ultrapassamos 5 vezes o número de mortes que delimitam uma guerra civil. Gritando que quando crianças ficarem doentes, podemos levá-las ao estádio do corinthians quando não forem atendidas no hospital. E a decepção chega a plenitude quando vejo que os interesses dos grupos revolucionários estão a comandar a ato da maioria de leigos apartidários. Esses protestos são de interesses de grupos revolucionários específicos, não do povo. Esses inocentes apartidários leigos são os famosos "idiotas úteis", que com seu pacifismo blindam a minoria radical revolucionária em seus atos terroristas a serviço de um projeto maior que eles, leigos, desconhecem.

Mas será que não pode haver um aumento na consciência das pessoas, enquanto cidadãs, por causa de tais protestos?

Não acho. Enquanto a o população civil, não se organizar enquanto tal, e não sob outras bandeiras com as quais vivem sexo de carnaval.

Não há como ter esperança de uma efetivo aumento do nível de consciência quando 20 centavos causam maior comoção do que 50 mil mortes anuais.

Se algo tem que ser feito, é aproveitar o momento e fazer um balanço de como esses protestos afetaram a sociedade civil e eleger uma agente digna de Brasileiros comprometidos, com base na Liberdade e Democracia verdadeiras, não aquela cubana que vem de brinde no kit do universitário comunista.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Khan Academy. 2.

Continuando com o livro de Salman Khan, "Um mundo, Uma escola" venho abordar os pontos que mais me chamaram a atenção dos assuntos abordados. As implicações sociais do que ele pretende fazer, do que fez, e o que acha do modelo educacional vigente são os pontos mais importantes, e é sobre eles que falarei um pouco.

A importância da educação é um pontos principal. Todo sabem, pelo discurso consuetudinário do mundo ocidental o que se deve fazer da vida: estudar e ter um diploma para assegurar seu futuro. Porém Salman vai mais além, em dois pontos: 1. Dizendo que educação não é simplesmente questão oportunidade chance de arrumar emprego, mas questão de dignidade. 2, A necessidade de se ter uma população educada como pré-requisito para a manutenção do ideal justo e democrático. Não pretendo desenvolver a fundo esses dois pontos, mas se pararmos para pensar 30 segundos veremos o qual profundas são esses pontos de reflexão.

Salman aborda a como conhecimento ocorre no cérebro, mostrando como ele ocorre fisicamente com proteínas e sinapses, e passa para a história do formato de educação como conhecemos hoje. Uma escola, com salas, e professores em cada uma delas com 20-100 alunos para cada professor. Esse modelo teve origem na Prússia e tonha como objetivo preparar uma população com conhecimento mínimo para poder trabalhar, selecionando os melhores par se aprofundarem em conceitos mais avançados. Era uma meritocracia limitada, pois havia a necessidade de um grande número de pessoas não serem concideradas merecedoras de continuarem estudando para se prover mão de obra suficiente para um sociedade que passava pela primeira revolução industrial. Engenheiros e administradores pensando pela massa operários como e o que fazer.

Esse modelo funcionou para o que se queria na época, foi exportado para o mundo todo, a questão é que, esse modelo ultrapassado, com um objetivo datado ainda permanece mesmo com todas as mudanças e desafios que a sociedade de hoje impõe. Essa sociedade na qual as empresas buscam os funcionáiros mais criativos, com maior capacidade de resolver problemas independentemente e com paixão e iniciativa tem um modelo de educação que tem como objetivo a passividade intelectual, o esmagamento da criativdade e a dependeência de ordens para que alguma ação seja tomada. A contradição e o prejuízo que o mundo sofre com essa contradição é indizível.

Os problemas das avaliações, como ferramentas falhas são extensamente abordadas no livro, pois elas pedem um conteúdo específico, e não são capazes de assinalar a criatividade do aluno. Ela mostra se o aluno sabe o que deve saber, e não o quanto ele poderia saber, por qual outro angulo inédito ele vê um problema e como pode-se perder um gênio quando se diz o que ele deve responder, e não como se pode pensar aquele problema.

O livro, é muito, mas muito interessante para repensarmos a educação e a nossa sociedade como um todo, dá um um misto de tristeza e medo do que podemos esperar pro futuro, mas também dá uma esperança de que sempre haverão pessoas fazendo coisas boas e beneficiando as outras, e quantas vidas serão poderão ser refeitas com o desenrolar das idéias apresentadas no livro.

Exaltemos as Mulheres como Mulheres.


A opressão histórica que a mulher sofre teve como consequência o justo anseio pela libertação. O problema é que a libertação foi confundida com igualização.

A mulher sujeita e submissa só foi possível devido a uma desigualdade primária e natural, a desigualdade física. Mulheres são fisicamente mais frágeis que os homens, e isso tornou possível a opressão histórica que elas sofreram. Em outras palavras, precisavam da força do homem para viver, mas ao mesmo tempo estavam sujeitas à eles. A utilização da força para dominação da mulher é natural quando olhamos o comportamento animal, assim como o homossexualismo e a pedofilia. Felizmente o bom senso nos mostra que natural não é sinônimo de bom, moral e ético.

Isto posto, gostaria de entender onde a libertação da mulher como individualidade que deve ter sua dignidade preservada se confunde com a igualdade de gêneros? Ter sua dignidade respeitada e seu arbítrio seguramente livre não tem qualquer semelhança com igualdade, exceto no ponto em que deve-se estender à todos.

Conseguido isso, onde tornar os gêneros mais iguais?

Percebo que a igualdade pretendida por aqueles que a advogam no sentido discutido no texto, é antes uma, permita-me a utilização da palavra, "igualização", no sentido de designar a eliminação total das diferenças, do que a igualdade de direito à dignidade.

Vejam as revistas, o ideal de mulher bem sucedida é o ideal de uma mulher-homem. Presidenta de empresas, que não querem ter filhos, fazem sexo com o mesmo desprendimento dos homens, focam na vida profissional e fazem musculação. Esta é a propaganda da mais alta realização que uma mulher pode querer em nossa sociedade. Se quer tanto justiçar a injustiçada fêmea de nossa espécie que deve-se torná-la masculinizada, tal qual seus opressores, para que essa justiça seja completa. Mas não é essa a maior sujeição possível da mulher ao homem?

Não existe nesse discurso o objetivo de libertar a mulher, existe o objetivo de sujeitá-la ainda mais ao homem dizendo que para ser respeitada deve ser tal qual ele, renegando sua natureza feminina, o ideal de realização, é o ideal masculino. Há algo mais machista do que isso?

A exaltação do ideal masculino como realização feminina acarreta obviamente, mas não tão premeditadamente, na desqualificação da mulher como ser feminino. Aparente absurdo permitido pela língua mas, automaticamente rejeitado pela razão, pode tomar forma real, como já tomou e não percebemos. A mulher com características acima do nível físico que a definem como mulher, como instintivamente materna e cuidadora do seu território, modernamente chamado de lar. Corretamente a Dona de casa, como nome que designa seu papel, Dono é o proprietário, é quem manda, é quem tem a maior autoridade. Esse aspecto logicamente é negligenciado, resultando em uma mensagem de sociedade masculina.

Alguém consegue conceber o mundo sem os aspectos femininos de geração da vida, cuidadora da vida, provedora da vida em toda a extensão que isso abrange?

Para valorizar a mulher, basta exaltá-la tal como seus méritos de mulher exigem.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Khan Academy, sóbria esperança por um Brasil (mundo) melhor.


A Khan Academy tem como objetivo fornecer educação de padrão internacional, grátis, para a maior quantidade possível de pessoas. Um sonho que antes de sua realização parecia impossível mas que depois de sua fundação e ascensão se mostra, ainda que longe de atingir suas metas quantitativas, perfeitamente possível.

Minha experiência com essa instituição teve início quando, após o improvável fato de eu ser aprovado da UFABC se tornar realidade, fui fazer o curso de inserção universitária da citada instituição. Nesse curso eles mostram os principais recursos da universidade e, algo que me interessava muito, o que seria cobrado em Bases Matemáticas: o terror dos bichos (e de alguns veteranos também). As outras matérias eram humanas, com as quais eu não teria tanta dificuldade, então me concentrei no ponto crítico, a matemática.

Depois de fazer o curso, comecei a fazer um levantamento do que eu precisava para começar a revisar as matéria que deveriam ser dominadas antes do quadrimestre começar. Primeira dificuldade: achar um esquema que mostre a progressão lógica da matemática, o que você deve saber primeiro, e o que vem depois disso, e o que precisa ser dominado para se estudar um determinado assunto. Fiz isso de um jeito meia-boca, e quando comecei a estudar parei no problema que atinge a maioria das pessoas: não sabia coisas básicas como MMC, MDC, multiplicação de frações, expoentes negativos, e o pior de tudo, quando tudo isso aparece na mesma questão.

Procurei em alguns livros o que precisava para dominar os conceitos num tempo hábil e sem passar por coisas que não usaria nos conteúdos cobrados, pois não haveria tempo. Mas ainda assim faltava um cronograma, um esquema organizacional onde estivesse claro onde eu estava, onde eu precisaria chegar, e qual o caminho certo. Lembrei que um professor no cursinho havia falado a respeito dessa tal Khan Academy, porém havia dito que os vídeos eram em inglês, o que me afastou dela até aquele momento. Mas, já que eu estava travado mesmo e sem previsão de quando eu desencalharia resolvi verificar. Qual não foi minha surpresa ao verificar que eu entendi as aulas de Salman (o cara que fundou a Khan Academy) na lígua de Tio Sam? Bom, já era um excelente começo. Vi como funcionava os exercícios que mostravam se você havia dominado o assunto ou não e também o Knowledge map, um mapa em forma de constelação que mostra os assuntos dominados e sugere assunto novos para se estudar. Era o que eu precisava.

Percebi o quão importante esse recurso estava sendo para mim, quanto tempo me poupou, quanta autonomia me dava, quantas desculpas destruía e resolvi verificar mais. Pesquisei na internet e descobri que Salman Khan tinha um livro falando sobre suas idéias e sobre a Khan Academy. Mais ou menos uns dois dias depois me deparei com o livro no lugar onde eu trabalho (é uma livraria, não foi um milagre, talvez um fenômeno de sincronicidade). Dei um jeito e arranjei o livro, o segundo livro que li este ano que realmente me acrescentaram algo (o primeiro é Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo. Houve um tempo senhores, em que livros como esse eram best-sellers.).

Um livro simples, fácil de ler e, respeitáveis e restritos leitores desse espaço, se existem, permito-me dizer revolucionário. Sim, um livro que quebra paradigmas educacionais, propões idéias, arranja soluções, mostra problemas e também a limitações em resolvê-los, mas nunca se abatendo, sempre passando a mensagem e mostrando o quanto é possível fazer com esperteza e boa vontade.

Faltam recursos para brasileiros que não dominam um pouco de inglês, mas algumas iniciativas surgem para disseminar essa ferramenta como a Fundação Lemann que firmou uma parceria para tradução das aulas de matemática.

Surge em mim, uma esperança autêntica de que com essa ferramente haverá mudanças significativas no Brasil, a médio e longo prazo. Qualquer pessoa com um mínimo de seriedade e conhecimento cultural geral sabe que o maior problema do Brasil é a educação e depois de ler o livro de Salman vi como é possível evoluir a educação em um tempo menor do que se convencionava. Medidas como bolsa família, maior policiamento e parceria com a iniciativa privada para a criação de mais empregos atacam os sintomas mas não a doença brasileira, que é a burrice e a ignorância, a falta de educação, no sentido ético e acadêmico.

Ninguém quer ou gosta de ser burro, ignorante, e saber o quanto sua vida é limitada por isso. Como diz no livro      educação não é questão de "índices de aprendizado nem de resultado de provas. Trata-se do significado de tudo isso para a vida das pessoas. Trata-se de potencial realizado ou desperdiçado, dignidade viabilizada ou negada."*


*Khan, Salman. Um mundo, uma Escola. A educação Reinventada. Rio de Janeiro, Intrínseca, 2013.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Racionalidade da Religião Cristã 2.


A Racionalidade da Religião Cristã 2.

Da Legitimidade Histórica das Escrituras Cristãs.

Essa série de posts não pretende esgotar o tema e para aqueles que conhecem a complexidade dele isso é óbvio, mas prefiro deixar claro assim mesmo, é antes um ato para esclarecer alguns pontos soltos por aí que fazem os teístas, por boa parte de culpa própria, parecerem completas bestas quando não são capazes de responder ao kit de perguntas fornecido pelo pensamento da turma "sou-moderno-só-acredito-no-que-vejo-e-no-que-a-ciência-prova-e-por-isso-não-acredito-em-religiões", que fazem parte do questionamento raso do pensamento filosófico-religioso.

Dada a importância das supostas sagradas escrituras para as religiões abraâmicas creio ser justificado a primeira publicação tratar do tema.

Essa postagem foi feita com base em uma pregação do pastor americano Voddie Baucham, que além de publicar alguns livros por ai tem, entre outros títulos acadêmicos, uma pós-graduação em Oxford. Creio ser esse currículo suficiente para mostrar a sua credibilidade como referência ao assunto.

Uma das mais comuns objeções à credibilidade Bíblica é que este livro teria sido adulterado, intencional ou não, por gerações e gerações de traduções, que por sua vez atendiam a determinados interesses de determinados grupos. Além dele retratar eventos sobrenaturais de verossímilhança duvidosa.

O tempo da obra escrita, e a atualidade do que ela trata, os textos originais e as supostas alterações da bíblia são os questionamento mais comuns.

Comecemos pelo nível de utilização da bíblia como fundamento da religião: A Bíblia é um documento histórico. Tão histórico como os documentos que temos para saber o que aconteceu no julgamento de Sócrates, na Revolução Francesa e no descobrimento do Brasil e nisso se baseia sua utilização. E como documento histórico possui sua legitimidade e valor superior a muitos outros. Explico.

A obra Guerras Gálicas, a única fonte de informação sobre as campanhas de Júlio Cesar tem menos de dez manuscritos, Poética de Aristóteles são cinco manuscritos e de Homero também menos de dez manuscritos. Das obras de Aristóteles, o escrito mais antigo que podemos colocar as mãos data de aproximadamente 1400 anos depois do original. Mas o novo testamento possui em média seis mil manuscritos, completos ou partes, alguns dos quais possuem apenas 50 anos de diferença dos originais que foram escritos mais ou menos 40 anos depois da morte de Cristo.

As exposições acima são suficientes para creditarem o cânone de livros Sagrados Cristãos como históricos.

Agora, das alterações dos textos.

Como dito acima, os cerca de seis mil manuscritos do novo testamento são os mais próximos dos originais, que por sua vez vieram da tradição oral dos Cristãos. Para que alguma alteração definitiva fosse feita, seria preciso alterar o 6 mil manuscritos. Além dos manuscritos, inúmeras cópias foram feiras para o copta, sírio e latim.

Há mais um ponto: os primeiros padres da igreja cristã escreviam seus comentários á varia partes do novo testamento. Dada a extraordinária história do crescimento do cristianismo, esses comentários foram muitos, tantos, que caso não existisse nenhum dos seis mil manuscritos de partes ou do novo testamento completo, seria possível reconstruí-lo em mais de 90% apenas com os comentários. Logo, além de alterar seis mil manuscritos do novo testamento, e das traduções que se espalharam pelo Egito, Sìria e Itália, eles teriam de rever e alterar todos os comentários de todos os padres anteriores á eles de modo que esse monstruoso numero de manuscritos, espalhados sabe Deus por onde, não se contradissessem.

Logo, para que a alteração fosse feita, ela teria de ser a mesma alteração nos seis mil originais, e mais as alterações nas traduções para sirio, latim e copta, e mais nos comentários dos padres. As alterações deveriam ser feitas mais ou menos ao mesmo tempo, para que não se descobrisse a farsa, sem contar a dimensão de recursos humanos e financeiros para tal conspiração. Seria necessária uam agência de inteligência como o FBI, CIA ou KGB para coordenar tal empreitada. E mesmo eles, demorariam anos.

Logo, a bíblia que você compra na Livraria ou na Loja da Igreja é sim um documento histórico legítimo, que tem algumas diferenças de traduções que não alteram o sentido principal, e sob o qual pode se iniciar uma investigação racional a respeito de seu discurso. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Racionalidade da Religião Cristã.


Uma questão crucial para mim a muito empo é a idéia de Deus. Como é algo indefinível, podendo apenas se atribuir algumas idéias a esse conceito, precisei estudar o porque de uma ideia tão absurda existir por tanto tempo. Afinal, algo tão fora de lógica não sobrevive tanto com o nível de relevância que a Religião possui.

Qual não foi a minha surpresa ao verificar que utilizando os argumentos lógicos os teístas estariam mil vezes mais preparados que os ateístas? Pudera, as bases da filosofia ocidental foram erguidas com tijolos gregos, além da mentalidade, e o próprio conceito de "ocidentalidade", serem erguidos com tijolos gregos e colados com argamassa patrística e escolástica. Essa segunda, a análise dos escritos e tradições Católicos segundo a lógica grega, que rege o pensamento formal, creditando ainda ao cristianismo o parecer de verdade logicamente consistente.

Ao longo deste grande-curto trajeto de estudos, assumi o lado teísta, quando antes era o oposto disso. Isso não aconteceu por nenhuma milagre comprovado, os que são assim referidos por mim, para outros podem ser conhecidência e isso sempre ecoou em mim afinal eles tinham sua parcela de razão. A minha certeza veio depois de aprofundar minimamente as noções das evidências de Deus de fontes confiáveis. Entre as quais o principal é William Lane Craig. Autor de 30 e tantos livros, Phd em Filosofia e conhecido como o maior Apologista da atualidade, possui vários debates legendados em português. Sua tese se baseia nos fatos de que existem uma séria de evidências que tendem a superar a existência de Deus, contra a evidências do contrário. Ficou claro para mim que ele não prova em absoluto que Deus existe, mas mostra que as evidências para que isso ocorra são infinitamente maiores do que a não existência do mesmo, demonstrando a racionalidade e coerência da fé cristã, ultimamente tida como uma superstição que não resiste a um exame mais crítico.

Para começar a abordar essa questão apresentarei alguns devaneios sobre a questão principal da fé cristã: a Bíblia sagrada. A veracidade deste suposto livro sagrado está no topo de importância desse assunto, pois dela os crente tiram a suas justificações, sendo necessária apresentar, para um justificação minimamente racional, justificar a validade da Bíblia. Aviso-os sobreviventes desse deserto blog que as idéias expostas não são minha, de maneira alguma. São idéias de Patrística e Escolástica apresentadas por pessoas com credibilidade para isso, que serão apresentadas nas próximas postagens, e por sua vez apresentadas pela minha ilustre-zé-ninguém pessoa. Essas idéias são muito importantes para se justificar o por que se crê em algo e não ser visto como um completo idiota que acredita em coisas escritas a dois mil anos atrás.

Dada a polemicidade da questão (essa palavra existe?) a primeira postagem sobre o assunto será um vídeo polêmico (pra combinar pô, igual bolsa e sapato de mulher), ele demonstra a recusa de Richard Dawkins em debater com Willian Lane Craig. Essa recusa soa muito estranha, pois é de se esperar que o maior expoente do Ateísmo atualmente, que normalmente participa de muitos debates queira mostrar a superioridade de suas idéias sobre o maior Apologista Cristão da atualidade. Um duelo de titâs. Vejam o vídeo, sobreviventes, e tirem suas conclusões.




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"Eu amo o cheiro de Napalm de manhã."




O filme Apocalipse Now, grande crítica ao ato do governo americano de fazer guerra no Vietnã  também pode ter outra leitura, ao meu ver, mais profunda, abstrata e generalista. O texto segue como pressuposto que você viu e entendeu o filme, caso contrário o texto não fará sentido algum.

O Capitão Kurks não enlouqueceu, sabia exatamente o que fazia, mas seus valores perderam o norte. Houve um choque de consciência, proveniente do fato das razões que ele tinha para fazer coisas que um soldado deve fazer não serem mais suficientes para manter sua estabilidade moral. "Treinamos Homens para jogar granadas em outros mas não permitimos que escrevam foda-se no avião, pois é obsceno , para ele, essas duas coisas estava com os mesmos valores. A visão rasa desta citação vai de encontro com o contexto histórico estadunidense e a e as pressões de muitos setores da sociedade de condenavam a guerra, com o mesmo ponto de vista do capitão. Esse lado da questão não contempla tudo o que seu próprio discurso crítico abarca, utilizando a visão da experiência imediata com uma noção vaga de direitos individuais e humanos, além de desqualifica toda a experiência anterior da necessidade natural de certas instituições sob um ponto de vista simplista. A crítica á instituições que foram a base do mundo ocidental, com todos os direitos que dele usufruímos não leva em conta este fato, só se vê o suposto lado errado da questão, com o questionamento não chegando ao ponto de como seria se suas criticas fossem levadas as últimas consequências.

Como exemplo da citação usada, ela não leva em conta a importância da disciplina em uma instituição com o papel social do exército, não tendo em mente como seria um exército onde cada um pintasse o que quisesse em seu veículo. Esse aparentemente detalhe não leva em conta o que realmente significaria essa suposta "liberdade", identificada como o direito de escrever o que quisesse em um veículo que não é seu como propriedade privada do indivíduo, acarreta em uma problemática essencial: a uniformidade de ação e pensamento em uma situação de combate. Não, um dizer em um veículo não tornaria ninguém indisciplinado, mas mostra fisicamente discrepância, heterogeneidade dentro de um corpo que tem como uniformidade uma condição de sobrevivência. A uniformidade de ação deve estar de tal modo interiorizada no indivíduo fardado que tudo é igual entre aqueles com função migual. Soldados te o mesmo uniforme, com o mesmo equipamento e são todos eles submetidos as mesmas regras de disciplina e hierarquia, sejam quem forem civilmente. As liberdades civis devem se manter nesse campo.

A próprio conceito de que o filme é uma critica a guerra no Vietnã  em minha opinião é equivocado. O filme mostra a realidade da guerra confrontada com a consciência do indivíduo, e com o padrão de normalidade que muitos indivíduos perdem em prolongadas situações de combate. Nesse sentido, vejo que o problema, no caso específico do Vietnã eram as razões pelos quais os soldados americanos estavam combatendo os Vietcongues, e as razões pelas quais os Vietcongues estavam em sua terra defendendo-se de um ataque estrangeiro. O fato de o Vietnã estar dividido em dois e de um dos lados serem apoiados pelos EUA não muda nada, o fato é que havia uma guerra entre invasor, seja qual for a chancela que ele tivesse de um conterrâneo de seu inimigo, e invadido. O seguinte trecho mostra o que decorre deste fato: "os vietcongues nas horas vagas comiam arroz e carne de rato" e "só tinham duas opções para voltar para a casa: a morte ou a vitória". Apesar de tudo o que se possa dizer uma coisa é inegável: os vietcongues não tinham escolha.  Lutaram desesperadamente pois esse era a única realidade possível para eles. A defesa de sua causa era tudo. Eles tinham uma âncora que mantinham seu princípio de "normalidade" e "moral" (entre aspas, pois esse conceitos podem ser diferente para os vietcongues, dada a sua causa política) que fazia toda a diferença na sua determinação de combater. Para os americanos, depois de um tempo combatendo, ele não viam nenhuma razão para estar lá, lutando contra um inimigo que não tentava, ao menos imediatamente, invadir sua pátria e atingir a sua família. Em um momento extremo como a guerra, precisa-se de motivos fortes para se manter em combate com gana, e os vietnamitas tinham, nesse quesito, larga vantagem sobre os americanos.

Como verificado, uma situação extrema como a guerra põe à prova os conceitos e valores sociais dos indivíduos onde chegamos ao ponto de seu relacionamento com a sociedade. Para que a relação em sociedade seja plena, os indivíduos devem estar de acordo com a sociedade em sua estrutura funcional. Questões pontuais sempre serão objetos de discórdia, porém as bases da sociedade devem estar em consonância com as inclinações individuais, pois o indivíduo só goza da satisfação das necessidades sociais e dos benefícios que dela decorrem caso faça parte de uma coletividade, que por sua vez tem suas demandas para com o indivíduo, tal qual a defesa, sob a pena de deixar de existir, e consequentemente acabar com os benefícios que ela oferece a seus integrantes.

Os EUA não venceram a guerra, que não significa ser derrotado. Os Comunistas do Vietnâ não perderam a guerra, o que não significa terem vencido. Mas vê-se que os valores que motivaram os dois lados e os motivos que os sustentavam eram diferentes, com diferentes pesos, e ainda que possa objetar que esse não foi o motivo principal para o desfecho da guerra, deve-se ter ter clara a sua importância.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sobre O Homem e Suas Raízes, a Partir de Jung.


Excerto do seguinte livro: Jung, Carl Gustav. Memórias, sonhos, reflexões. Organização e edição Aniela Jaffé; Tradução Dora Ferreira da Silva. - [Edição especial]. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. (Saraiva de Bolso).

P.284-286.

"Tanto nossa alma como nosso corpo são compostos de elementos que já existiam na linhagem dos antepassados. O "novo" na alma individual é uma recombinação, variável ao infinito, de componentes extremamente antigos. Nosso corpo e nossa alma têm um caráter eminentemente histórico e não encontram no "realmente-novo-que-acaba-aparecer" lugar conveniente, isto é, os traços ancestrais só se encontram parcialmente realizados. Estamos longe de ter liquidado a Idade Média, a Antiguidade, o primitivismo e de ter respondido às exigências de nossa psique a respeito deles.  Entrementes, somos lançados num jato de progresso que nos empurra para o futuro, com uma violência tanto mais selvagem quanto nos arranca de nossas raízes. (...). Mas é precisamente a perda de relação com o passado, a perda de nossas raízes, que cria uma tal "mal-estar na civilização" (...). Precipitamo-nos desenfreadamente para o novo, impelidos por um sentimento crescente de mal-estar, de descontentamento, de agitação. (...) Não vemos mais a luz do dia presente, porém perscrutamos a sombra do futuro, esperando a verdadeira alvorada. (...) Quanto menos compreendermos o que nossos pais e avós procuraram, tanto menos compreenderemos a nós mesmos, e contribuímos com todas nossas forças para arrancar o indivíduo de seus instintos  e de suas raízes.

(...)

Falo muito nesse livro de minhas concepções subjetivas que não representam, entretanto, argúcias da razão; são muito mais visões que surgem, quando, os olhos semi-serrados e os ouvidos algo amortecidos, procuramos ver e ouvir as formas e a voz do ser. Se vemos e ouvimos com demasiada nitidez limitamo-nos á hora e ao minuto de hoje e não observamos se e como as nossas almas ancestrais percebem e compreendem o hoje em outros termos, e como o inconsciente reage. Dessa forma, continuamos ignaros e não sabemos se o mundo ancestral participa de nossa vida com prazer primitivo ou se, pelo contrário, volta as costas com desgosto. Nossa calma e satisfação íntima dependem, em grande parte, do fato de saber se a família histórica que o indivíduo personifica está ou não de acordo com as condições efêmeras do presente."

Grifo meu.

Se quando eu terminar de ler as 500 páginas que compões esse livro e  não encontrar nenhuma passagem significativa, o excerto acima terá valido todo o esforço. Essas palavras provocaram tal inquietação em mim que precisei escrever algo para digeri-las corretamente, e até que isso fosse feito elas ficaram indigestas em minha mente, e parcialmente no meu peito na forma de ansiedade. Vamos ás mesmas:

Nossa constituição física e psíquica são resultados históricos, fisicamente pela evolução e, psiquicamente da memória genética e da carga psíquica, social e sobretudo familiar. Sonhos, desejos, anseios, frustrações e questões pendentes de nossos antepassados influem em nossa psique como carga mental formativa. Elas fazem o que somos.

Toda essa carga psíquica permanece de um jeito ou de outro e nos afeta em maior ou menor grau, ocorrendo por vezes que nossa carga espiritual ancestral não encontre no tempo presente adequação, provocando afeitos diversos tais quais o sentimento de não pertencer a seu tempo, e em casos mais graves contribuindo até para perturbações mentais maiores ou menores.

O esclarecimento sobre como vivemos na expectativa do futuro, fugindo do presente e mais ainda do passado torna maior a distância entre nossos anseios ancestrais e o presente. Pessoalmente sinto isso, ansiedade contínua e certo desconforto em lugares que passem a impressão de "futuro", com sua arquitetura limpa e prática, desnuda de ornamentos clássicos. Diversões noturnas com muitas luzes e sons sintéticos não são opções válidas quando tenho um lugar com aparência e sensações tavernosas como alternativa.

A violência com que o espírito da contemporaneidade futura arranca o homem de suas raízes fatalmente conduz o homem ao espírito da gravidade, aquele destino sombrio á que tudo está condenado. Queda, depressão, declínio.

Deve-se atentar para as demandas de nossa psique como um todo, mas com especial atenção aquelas que concernem as nossas raízes para não perdermos o chão, tomado simbolicamente como o lugar onde nossas raízes se entranham e dão frutos e como sendo o lugar onde se apóiam todos os elementos da psique humana, e consequentemente, sua alma.

Sobre Suposta Impaciência Palestrina.


 É preciso corajem para ajeitar a casa. Paulo Nobre tomou atitudes corajosas no intuito de mudar o futebol Palmeirense começando pela atribuição de cargos em formato moderno. A contratação de profissionais capacitados para setores estratégicos é o melhor início possível, pois não adiantaria contratar jogadores que remediariam a situação mas não acertariam o cerne do problema. Jogadores não mudam a forma de pensar o futebol dentro e fora das quatro linhas. Todos os craques o foram dentro do gramado. Apenas.

A profissionalização do futebol começando com um diagnóstico extremamente preciso é o primeiro ponto, e foi, ou está, sendo feito. Deve-se ter claro a herança maldita de Mustafá e mais recentemente Tirone e Frizzo (róinctuf!) pesa sobre nós, e seus efeitos se farão sentir durante mais tempo do que gostaria ou admito, mas não é são professar outra coisa senão a realidade.

Porém, pedir paciência ao torcedor é uma piada. Mais do que a temos exercitado?!

Pode-se objetar as ações tomadas por nós, mas não nos peçam paciência, pois esta tem sido a mãe dos palmenrenses há tempos!

O grande ponto a ser tratado com relação as atitudes dos torcedores é que se trata, e prestem muita atenção ás seguintes palavras, do Futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras, e quem conhece a realidade que esses signos ortográficos e fonéticos juntos pretendem demonstrar sabe qual profundo é o assunto. Fruto de um dos mais expoentes povos latinos "sangue-quente", o turbilhão de paixão é indizível. A despeito do maior número de nossos adversários, somos conhecidos pela paixão que carregamos no peito e não aceitam esta situação. A diminuição do clube, escamoteada por tanto tempo, culminando em uma crise, no maior significado que esta palavra pode assumir, faz o palmeirense cada vez mais confrontar-se com o limite, por vezes extrapolando-o.

A arrumação vai levar tempo, mas a causalidade cobrará a sua conta enquanto as causas dessa desgraça retumbarem sobre o Alviverde Imponente. E esses efeitos se tornam novas causas, que por sua vez ecoam na torcida. É uma recuperação lenta e dolorosa, e assim vai ser, imagino, pelo próximo ano inteiro.

Deus nos ajude.