quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sobre O Homem e Suas Raízes, a Partir de Jung.


Excerto do seguinte livro: Jung, Carl Gustav. Memórias, sonhos, reflexões. Organização e edição Aniela Jaffé; Tradução Dora Ferreira da Silva. - [Edição especial]. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. (Saraiva de Bolso).

P.284-286.

"Tanto nossa alma como nosso corpo são compostos de elementos que já existiam na linhagem dos antepassados. O "novo" na alma individual é uma recombinação, variável ao infinito, de componentes extremamente antigos. Nosso corpo e nossa alma têm um caráter eminentemente histórico e não encontram no "realmente-novo-que-acaba-aparecer" lugar conveniente, isto é, os traços ancestrais só se encontram parcialmente realizados. Estamos longe de ter liquidado a Idade Média, a Antiguidade, o primitivismo e de ter respondido às exigências de nossa psique a respeito deles.  Entrementes, somos lançados num jato de progresso que nos empurra para o futuro, com uma violência tanto mais selvagem quanto nos arranca de nossas raízes. (...). Mas é precisamente a perda de relação com o passado, a perda de nossas raízes, que cria uma tal "mal-estar na civilização" (...). Precipitamo-nos desenfreadamente para o novo, impelidos por um sentimento crescente de mal-estar, de descontentamento, de agitação. (...) Não vemos mais a luz do dia presente, porém perscrutamos a sombra do futuro, esperando a verdadeira alvorada. (...) Quanto menos compreendermos o que nossos pais e avós procuraram, tanto menos compreenderemos a nós mesmos, e contribuímos com todas nossas forças para arrancar o indivíduo de seus instintos  e de suas raízes.

(...)

Falo muito nesse livro de minhas concepções subjetivas que não representam, entretanto, argúcias da razão; são muito mais visões que surgem, quando, os olhos semi-serrados e os ouvidos algo amortecidos, procuramos ver e ouvir as formas e a voz do ser. Se vemos e ouvimos com demasiada nitidez limitamo-nos á hora e ao minuto de hoje e não observamos se e como as nossas almas ancestrais percebem e compreendem o hoje em outros termos, e como o inconsciente reage. Dessa forma, continuamos ignaros e não sabemos se o mundo ancestral participa de nossa vida com prazer primitivo ou se, pelo contrário, volta as costas com desgosto. Nossa calma e satisfação íntima dependem, em grande parte, do fato de saber se a família histórica que o indivíduo personifica está ou não de acordo com as condições efêmeras do presente."

Grifo meu.

Se quando eu terminar de ler as 500 páginas que compões esse livro e  não encontrar nenhuma passagem significativa, o excerto acima terá valido todo o esforço. Essas palavras provocaram tal inquietação em mim que precisei escrever algo para digeri-las corretamente, e até que isso fosse feito elas ficaram indigestas em minha mente, e parcialmente no meu peito na forma de ansiedade. Vamos ás mesmas:

Nossa constituição física e psíquica são resultados históricos, fisicamente pela evolução e, psiquicamente da memória genética e da carga psíquica, social e sobretudo familiar. Sonhos, desejos, anseios, frustrações e questões pendentes de nossos antepassados influem em nossa psique como carga mental formativa. Elas fazem o que somos.

Toda essa carga psíquica permanece de um jeito ou de outro e nos afeta em maior ou menor grau, ocorrendo por vezes que nossa carga espiritual ancestral não encontre no tempo presente adequação, provocando afeitos diversos tais quais o sentimento de não pertencer a seu tempo, e em casos mais graves contribuindo até para perturbações mentais maiores ou menores.

O esclarecimento sobre como vivemos na expectativa do futuro, fugindo do presente e mais ainda do passado torna maior a distância entre nossos anseios ancestrais e o presente. Pessoalmente sinto isso, ansiedade contínua e certo desconforto em lugares que passem a impressão de "futuro", com sua arquitetura limpa e prática, desnuda de ornamentos clássicos. Diversões noturnas com muitas luzes e sons sintéticos não são opções válidas quando tenho um lugar com aparência e sensações tavernosas como alternativa.

A violência com que o espírito da contemporaneidade futura arranca o homem de suas raízes fatalmente conduz o homem ao espírito da gravidade, aquele destino sombrio á que tudo está condenado. Queda, depressão, declínio.

Deve-se atentar para as demandas de nossa psique como um todo, mas com especial atenção aquelas que concernem as nossas raízes para não perdermos o chão, tomado simbolicamente como o lugar onde nossas raízes se entranham e dão frutos e como sendo o lugar onde se apóiam todos os elementos da psique humana, e consequentemente, sua alma.

Sobre Suposta Impaciência Palestrina.


 É preciso corajem para ajeitar a casa. Paulo Nobre tomou atitudes corajosas no intuito de mudar o futebol Palmeirense começando pela atribuição de cargos em formato moderno. A contratação de profissionais capacitados para setores estratégicos é o melhor início possível, pois não adiantaria contratar jogadores que remediariam a situação mas não acertariam o cerne do problema. Jogadores não mudam a forma de pensar o futebol dentro e fora das quatro linhas. Todos os craques o foram dentro do gramado. Apenas.

A profissionalização do futebol começando com um diagnóstico extremamente preciso é o primeiro ponto, e foi, ou está, sendo feito. Deve-se ter claro a herança maldita de Mustafá e mais recentemente Tirone e Frizzo (róinctuf!) pesa sobre nós, e seus efeitos se farão sentir durante mais tempo do que gostaria ou admito, mas não é são professar outra coisa senão a realidade.

Porém, pedir paciência ao torcedor é uma piada. Mais do que a temos exercitado?!

Pode-se objetar as ações tomadas por nós, mas não nos peçam paciência, pois esta tem sido a mãe dos palmenrenses há tempos!

O grande ponto a ser tratado com relação as atitudes dos torcedores é que se trata, e prestem muita atenção ás seguintes palavras, do Futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras, e quem conhece a realidade que esses signos ortográficos e fonéticos juntos pretendem demonstrar sabe qual profundo é o assunto. Fruto de um dos mais expoentes povos latinos "sangue-quente", o turbilhão de paixão é indizível. A despeito do maior número de nossos adversários, somos conhecidos pela paixão que carregamos no peito e não aceitam esta situação. A diminuição do clube, escamoteada por tanto tempo, culminando em uma crise, no maior significado que esta palavra pode assumir, faz o palmeirense cada vez mais confrontar-se com o limite, por vezes extrapolando-o.

A arrumação vai levar tempo, mas a causalidade cobrará a sua conta enquanto as causas dessa desgraça retumbarem sobre o Alviverde Imponente. E esses efeitos se tornam novas causas, que por sua vez ecoam na torcida. É uma recuperação lenta e dolorosa, e assim vai ser, imagino, pelo próximo ano inteiro.

Deus nos ajude.