quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ray, you never knock me down...

... um post meia boca no meio da noite para não passar em branco minhas impressões sobre o filme  que eu finalmente vi! Touro Indomável, a história de Jake Lamota, o único boxeador a rivalizar com Sugar Ray Robinson, o maior boxeador da história, sim isso mesmo, não Mike Tyson, nem Holyfield ( não sei se escrevi certo), mas Sugar Ray Robinson, que injustamente no nosso país não é um ícone desse esporte. Minha vontade de ver este filme vem principalmente pelo meu interesse pelo boxe, ao meu ver, a luta mais honesta que existe, a forma de disputa mais legítima onde a nenhum campeão sagrou-se como tal injustamente, tendo para isso seus méritos comprovados no ringue.
No boxe não existe sorte, ou você é ganha por que lutou bem, ou perde por não ter feito tal coisa. Se você for acertado por pura sorte do adversário, o que já é raro, levando-se em conta as regra de se usar apenas as mãos para atacar e defender, a luta não acaba ai. Abre-se uma contagem, e apesar de você ter uma ligeira desvantagem, se o golpe não foi bem encaixado, você respira e volta pra luta, fazendo com que o golpe derradeiro tenha que ser extremamente bem aplicado. Como diz o jargão do "queixo de vidro". 

O filme retrata um Jake Lamota confuso, frustrado, com sua vida, carreira e casamento e que aproveita sua revolta no ringue. A interpretação de Robert De Niro, com trejeitos italianos e tals é muito foda, lembrando muitos dos italianos do primeiro O Poderoso Chefão. Uma coisa que me chamou atenção nesse filme, é que é expressa claramente a submissão da mulher no casamento, as ordens recebidas dos maridos italianos são obedecidas, não sem uns resmungões, mas obedecidas, sob levas de ameaças e insultos do "macho dominante" que põe ordem na casa, se preciso, à força. As mulheres reagem de maneira infantil, com birras, quebrando coisas, mas no fim das contas ficam bem quando os maridos a agradam, como se tudo não passasse de só mais uma briga. Pra mim é estranho, virar uma mesa, quebrar coisas da casa, ameaçar bater (uns tapas rolam normalmente na verdade) no seu cônjuge, e no fim terminarem com beijos e abraços... sei lá, mas parece coisa de sangue latino... italianos, espanhóis, todos tem essa fama (não é racismo, pois tenho descendência espanhola). A parada do machismo fica evidente também com o respeito aos mais velhos, como quando o protagonista está treinando em um ginásio, e um senhor do ginásio é questionado sobre como está a sua esposa, e o rapaz, Homem-feito, mas mais novo, diz que caso ele precise de algo é só chamá-lo. E em outra parte quando o irmão de Jake causa com um dos amigos da esposa de Jake, quando ele está em concentração e sua esposa em um bar bebendo e com amigos. O imão de Jake toma as dores, questiona a esposa sobre o que ela está fazendo, e quando ela diz que não irá para casa e que irá beber e se divertir o cara toca o puteiro no bar... bate em meio mundo, bem na pilantragem, causa mó bagunça e no fim, os dois fazem as pazes depois de um "sermão" de um magnata que ganha grana com apostas de boxe, aparentemente o bar era dele.

O filme segue mostrando o casamento cada vez pior de La Mota, que no meio de tanta confusão chega a ser digno de compaixão, pois não fica claro se a mulher dele é uma vagabunda ou se ele que é negligente. Com seu irmão ocorre o mesmo, não se sabe se ele é um cara que faz o possível para ajudar o irmão ou um sanguessuga que pega rabeira no dom guerreiro de La Mota. Isso chega a um ponto insuportável quando Jake começa a desconfiar de seu irmão, a confirmação vem quando sua esposa diz que já chupou o pau de vários caras do circulo do boxe e inclusive do irmão dele, pois Jake não transava era um "gordo egoísta" e ai tudo vai abaixo... ele soca a mulher, soca o irmão, bate em meio mundo e vai embora. Deixa de falar com o irmão mas pede pra esposa ficar

Depois da ultima luta, contra Sugar Ray, a derradeira derrota, antes de sair do ringue ele diz uma das frases mais memoráveis que já ouvi: Ray, you dont knock me down, diz um La Mota todo estorado com um orgulho e dignidade feroz...Essa frase, no contexto da luta, e da vida de Jake ganha um significado muito maior do que uma afirmação no ringue, pois Jake derrubou Ray várias vezes em outras lutas, mas nunca foi derrubado, apesar de perder por pontos.

Decide se aposentar, compra um bar e ai tem sua nova profissão (agora sim, bem gordo), dono de bar e "humorista", mas isso não dura muito. Logo após saber que sua mulher entrou de vez com o pedido de divórcio, tem também de comparecer à justiça por ter apresentado duas jovens de 14 anos a outros homens em seu bar. É preso por não conseguir levantar o dinheiro da fiança, e na prisão acontece uma das cenas mais ferradas do filme, com uma fotografia muito bem feita que passa bem a atmosfera do momento do personagem. Desespero, a sensação de  ter jogado a vida fora, impotência, não boxeia mais, casamento destruído e sem dinheiro, esmurrando, cabeceando a parede e perguntando porque.

O filme termina com um La Mota decadente em alguns aspectos, mas que continua com seus shows de humor em bares por ai. Fica a impressão de que foi uma vida na qual poderia ser feito mais, muito potencial com revolta demais, aliada a companhias que não o impulsionavam verdadeiramente pra cima, buscando apenas a satisfação imediata.

Mas também amor, do jeito dele, mas amor. Perdoar o que a mulher dele fez, é só por amor, mesmo que ele não fosse o melhor dos maridos. Perdoar seu irmão, depois de de ter comido a sua mulher... no fundo era um cara com o coração gigantesco, embriagado com o poder e divertimentos desse mundo.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Segundo Hábito do Senhor Covey.

O Segundo Hábito é o "começando com o objetivo em mente" é uma sequencia natural do primeiro hábito. Depois de assumirmos a responsabilidade integral a nossa vida sendo proativos precisamos saber o que fazer com essa proatividade. Depois de tomarmos as rédeas da nossa vida devemos saber para onde guiá-la, caso contrário cada passo dado sem saber para onde se vai é um passo mais longe de onde deveríamos estar indo, de onde realmente queremos chegar.

Para chegarmos mais perto dos nossos valores mais íntimos o autor usa como exemplo um exercício de imaginarmos o que as pessoas falariam de nós no nosso velório. Que tipo de pai, filho, amigo, companheiro de trabalho você gostaria de ser quando lembrado? Esses discursos proferidos no seu velório mostram se não todo, a maior parte dos seus valores, coisas que são realmente importantes para você. Com isso em mente deve-se começar com um paradigma central, fundamental sobre o que realmente queremos. Isso faz com que tudo na nossa vida tenha sentido, desde as menores coisas, tenham um propósito, preenchendo aquele vazio característico dos tempos modernos.

Um ferramenta para termos fresca em nossa mente a idéia do que realmente almejamos é utilizar uma "constituição pessoal", um conjunto de princípios que estejam de acordo com seus paradigmas mais intimos, te guiando para seu objetivo, escrito por você mesmo. Eles não devem ser imutáveis, apesar de seus pontos centrais, podendo e devendo mudar algumas partes conforme seu aprendizado e experiência.
Colocar por escrito aqueles valores e objetivos que realmente importam para nós faz com que seja mais fácil recordá-los no dia-a-dia, onde as pessoas tendem a esquecer muito facilmente seus verdadeiros valores.

Nossos paradigmas, as "lentes" com as quais vemos o mundo, são o nosso Centro. Desse Centro decorrem a nossa Segurança, Sabedoria e Poder, e podem ser simplificados respectivamente como: saber onde se está, saber para onde ir, saber como ir, e ir.
Nosso centro merece atenção especial pois dele saem esses quatro elementos que suportam a nossa vida. Centros passageiros, supérfluos, volúveis e sem profundidade proporcionarão vidas com essas características. Sua vida reflete seu foco, reflete aquilo com que você realmente se importa.

Por isso deve-se ter como centro coisas positivas, imutáveis e verdadeiras, pois assim teremos existências com esses adjetivos. Buda dizia que depositar a felicidade no que é passageiro é tolice. Jesus disse para buscarmos primeiramente o reino dos céus. O autor diz para termos nosso Centro nos Princípios corretos.

"Ao centrarmos a vida em princípios imutáveis, eternos, criamos um paradigma fundamental para a existência eficaz. Este é o centro que coloca todos os outros centros na perspectiva correta.
Lembre-se de que seu paradigma é a fonte a partir da qual suas atitudes e seus comportamentos fluem. Um paradigma é como os óculos: afeta a maneira como você vê tudo na vida. Se você olha para as coisas através do paradigma dos princípios corretos, o que enxerta é drasticamente diferente do que pode ver a partir de qualquer outro paradigma central"

Essa transcrição apesar de extensa é excelente para entender os diferentes tipos de vida que as pessoas levam e/ou as diferentes fases da nossa vida, todas as vidas e fases com centros diferentes, vendo o mundo com lentes diferentes.

"(...) finalmente, a missão torna-se sua constituição, a expressão sólida de sua visão de mundo e de seus valores. Elas se torna o critério pelo qual você passa a medir tudo em sua vida"

Para termos claro o que queremos da vida e para podermos realmente fazer o que queremos podemos visualizar aquilo que queremos com todos os detalhes que lhe cabem, de modo que essa experiência se torne familiar para nós . Quando uma experiência se torna familiar não tememos quando ela acontece, agimos com naturalidade e segurança aumentando nossa eficácia nessa situação.

"(...) creio que o uso mais nobre da imaginação esteja em harmonia com o uso da consciência para transcender o eu e viver uma vida de contribuições basada no unico propósito e nos princípios que governam a realidade interdependente"

Escrever sobre nossas prioridades clareia nossos objetivos. Evitamos também a desproporção e o desequilíbrio da nossa vida, evitando que nos dediquemos demais a um setor em detrimento de outros. Avaliar os setores de nossa vida como profissional , familiar e ect é útil para termos claro o que queremos em cada área nos guiando no dia-a-dia e servindo como ponto de comparação para saber onde estamos.

Um exemplo são os objetivos e missão das empresas. Pessoalmente eu ficava em duvida sobre o que realmente significava isso, pensando que era só encheção de saco, mas ela tem a mesma utilidade que tem para as pessoas, afinal para quem não sabe onde chegar qualquer lugar é destino, para barco sem mapa qualquer praia é porto e enfim...

O fim do capítulo fala sobre sugestões de aplicação, que preciso tentar fazer ao menos, e o próximo fala sobre como gerir nossa vida rumo ao que descobrimos no capítulo dois.

Trilha sonora por Flogging Molly, fudido demais... será que um dia rola um show por aqui? Vai que acontece um milagre né...