segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Racionalidade da Religião Cristã 2.


A Racionalidade da Religião Cristã 2.

Da Legitimidade Histórica das Escrituras Cristãs.

Essa série de posts não pretende esgotar o tema e para aqueles que conhecem a complexidade dele isso é óbvio, mas prefiro deixar claro assim mesmo, é antes um ato para esclarecer alguns pontos soltos por aí que fazem os teístas, por boa parte de culpa própria, parecerem completas bestas quando não são capazes de responder ao kit de perguntas fornecido pelo pensamento da turma "sou-moderno-só-acredito-no-que-vejo-e-no-que-a-ciência-prova-e-por-isso-não-acredito-em-religiões", que fazem parte do questionamento raso do pensamento filosófico-religioso.

Dada a importância das supostas sagradas escrituras para as religiões abraâmicas creio ser justificado a primeira publicação tratar do tema.

Essa postagem foi feita com base em uma pregação do pastor americano Voddie Baucham, que além de publicar alguns livros por ai tem, entre outros títulos acadêmicos, uma pós-graduação em Oxford. Creio ser esse currículo suficiente para mostrar a sua credibilidade como referência ao assunto.

Uma das mais comuns objeções à credibilidade Bíblica é que este livro teria sido adulterado, intencional ou não, por gerações e gerações de traduções, que por sua vez atendiam a determinados interesses de determinados grupos. Além dele retratar eventos sobrenaturais de verossímilhança duvidosa.

O tempo da obra escrita, e a atualidade do que ela trata, os textos originais e as supostas alterações da bíblia são os questionamento mais comuns.

Comecemos pelo nível de utilização da bíblia como fundamento da religião: A Bíblia é um documento histórico. Tão histórico como os documentos que temos para saber o que aconteceu no julgamento de Sócrates, na Revolução Francesa e no descobrimento do Brasil e nisso se baseia sua utilização. E como documento histórico possui sua legitimidade e valor superior a muitos outros. Explico.

A obra Guerras Gálicas, a única fonte de informação sobre as campanhas de Júlio Cesar tem menos de dez manuscritos, Poética de Aristóteles são cinco manuscritos e de Homero também menos de dez manuscritos. Das obras de Aristóteles, o escrito mais antigo que podemos colocar as mãos data de aproximadamente 1400 anos depois do original. Mas o novo testamento possui em média seis mil manuscritos, completos ou partes, alguns dos quais possuem apenas 50 anos de diferença dos originais que foram escritos mais ou menos 40 anos depois da morte de Cristo.

As exposições acima são suficientes para creditarem o cânone de livros Sagrados Cristãos como históricos.

Agora, das alterações dos textos.

Como dito acima, os cerca de seis mil manuscritos do novo testamento são os mais próximos dos originais, que por sua vez vieram da tradição oral dos Cristãos. Para que alguma alteração definitiva fosse feita, seria preciso alterar o 6 mil manuscritos. Além dos manuscritos, inúmeras cópias foram feiras para o copta, sírio e latim.

Há mais um ponto: os primeiros padres da igreja cristã escreviam seus comentários á varia partes do novo testamento. Dada a extraordinária história do crescimento do cristianismo, esses comentários foram muitos, tantos, que caso não existisse nenhum dos seis mil manuscritos de partes ou do novo testamento completo, seria possível reconstruí-lo em mais de 90% apenas com os comentários. Logo, além de alterar seis mil manuscritos do novo testamento, e das traduções que se espalharam pelo Egito, Sìria e Itália, eles teriam de rever e alterar todos os comentários de todos os padres anteriores á eles de modo que esse monstruoso numero de manuscritos, espalhados sabe Deus por onde, não se contradissessem.

Logo, para que a alteração fosse feita, ela teria de ser a mesma alteração nos seis mil originais, e mais as alterações nas traduções para sirio, latim e copta, e mais nos comentários dos padres. As alterações deveriam ser feitas mais ou menos ao mesmo tempo, para que não se descobrisse a farsa, sem contar a dimensão de recursos humanos e financeiros para tal conspiração. Seria necessária uam agência de inteligência como o FBI, CIA ou KGB para coordenar tal empreitada. E mesmo eles, demorariam anos.

Logo, a bíblia que você compra na Livraria ou na Loja da Igreja é sim um documento histórico legítimo, que tem algumas diferenças de traduções que não alteram o sentido principal, e sob o qual pode se iniciar uma investigação racional a respeito de seu discurso. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Racionalidade da Religião Cristã.


Uma questão crucial para mim a muito empo é a idéia de Deus. Como é algo indefinível, podendo apenas se atribuir algumas idéias a esse conceito, precisei estudar o porque de uma ideia tão absurda existir por tanto tempo. Afinal, algo tão fora de lógica não sobrevive tanto com o nível de relevância que a Religião possui.

Qual não foi a minha surpresa ao verificar que utilizando os argumentos lógicos os teístas estariam mil vezes mais preparados que os ateístas? Pudera, as bases da filosofia ocidental foram erguidas com tijolos gregos, além da mentalidade, e o próprio conceito de "ocidentalidade", serem erguidos com tijolos gregos e colados com argamassa patrística e escolástica. Essa segunda, a análise dos escritos e tradições Católicos segundo a lógica grega, que rege o pensamento formal, creditando ainda ao cristianismo o parecer de verdade logicamente consistente.

Ao longo deste grande-curto trajeto de estudos, assumi o lado teísta, quando antes era o oposto disso. Isso não aconteceu por nenhuma milagre comprovado, os que são assim referidos por mim, para outros podem ser conhecidência e isso sempre ecoou em mim afinal eles tinham sua parcela de razão. A minha certeza veio depois de aprofundar minimamente as noções das evidências de Deus de fontes confiáveis. Entre as quais o principal é William Lane Craig. Autor de 30 e tantos livros, Phd em Filosofia e conhecido como o maior Apologista da atualidade, possui vários debates legendados em português. Sua tese se baseia nos fatos de que existem uma séria de evidências que tendem a superar a existência de Deus, contra a evidências do contrário. Ficou claro para mim que ele não prova em absoluto que Deus existe, mas mostra que as evidências para que isso ocorra são infinitamente maiores do que a não existência do mesmo, demonstrando a racionalidade e coerência da fé cristã, ultimamente tida como uma superstição que não resiste a um exame mais crítico.

Para começar a abordar essa questão apresentarei alguns devaneios sobre a questão principal da fé cristã: a Bíblia sagrada. A veracidade deste suposto livro sagrado está no topo de importância desse assunto, pois dela os crente tiram a suas justificações, sendo necessária apresentar, para um justificação minimamente racional, justificar a validade da Bíblia. Aviso-os sobreviventes desse deserto blog que as idéias expostas não são minha, de maneira alguma. São idéias de Patrística e Escolástica apresentadas por pessoas com credibilidade para isso, que serão apresentadas nas próximas postagens, e por sua vez apresentadas pela minha ilustre-zé-ninguém pessoa. Essas idéias são muito importantes para se justificar o por que se crê em algo e não ser visto como um completo idiota que acredita em coisas escritas a dois mil anos atrás.

Dada a polemicidade da questão (essa palavra existe?) a primeira postagem sobre o assunto será um vídeo polêmico (pra combinar pô, igual bolsa e sapato de mulher), ele demonstra a recusa de Richard Dawkins em debater com Willian Lane Craig. Essa recusa soa muito estranha, pois é de se esperar que o maior expoente do Ateísmo atualmente, que normalmente participa de muitos debates queira mostrar a superioridade de suas idéias sobre o maior Apologista Cristão da atualidade. Um duelo de titâs. Vejam o vídeo, sobreviventes, e tirem suas conclusões.




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"Eu amo o cheiro de Napalm de manhã."




O filme Apocalipse Now, grande crítica ao ato do governo americano de fazer guerra no Vietnã  também pode ter outra leitura, ao meu ver, mais profunda, abstrata e generalista. O texto segue como pressuposto que você viu e entendeu o filme, caso contrário o texto não fará sentido algum.

O Capitão Kurks não enlouqueceu, sabia exatamente o que fazia, mas seus valores perderam o norte. Houve um choque de consciência, proveniente do fato das razões que ele tinha para fazer coisas que um soldado deve fazer não serem mais suficientes para manter sua estabilidade moral. "Treinamos Homens para jogar granadas em outros mas não permitimos que escrevam foda-se no avião, pois é obsceno , para ele, essas duas coisas estava com os mesmos valores. A visão rasa desta citação vai de encontro com o contexto histórico estadunidense e a e as pressões de muitos setores da sociedade de condenavam a guerra, com o mesmo ponto de vista do capitão. Esse lado da questão não contempla tudo o que seu próprio discurso crítico abarca, utilizando a visão da experiência imediata com uma noção vaga de direitos individuais e humanos, além de desqualifica toda a experiência anterior da necessidade natural de certas instituições sob um ponto de vista simplista. A crítica á instituições que foram a base do mundo ocidental, com todos os direitos que dele usufruímos não leva em conta este fato, só se vê o suposto lado errado da questão, com o questionamento não chegando ao ponto de como seria se suas criticas fossem levadas as últimas consequências.

Como exemplo da citação usada, ela não leva em conta a importância da disciplina em uma instituição com o papel social do exército, não tendo em mente como seria um exército onde cada um pintasse o que quisesse em seu veículo. Esse aparentemente detalhe não leva em conta o que realmente significaria essa suposta "liberdade", identificada como o direito de escrever o que quisesse em um veículo que não é seu como propriedade privada do indivíduo, acarreta em uma problemática essencial: a uniformidade de ação e pensamento em uma situação de combate. Não, um dizer em um veículo não tornaria ninguém indisciplinado, mas mostra fisicamente discrepância, heterogeneidade dentro de um corpo que tem como uniformidade uma condição de sobrevivência. A uniformidade de ação deve estar de tal modo interiorizada no indivíduo fardado que tudo é igual entre aqueles com função migual. Soldados te o mesmo uniforme, com o mesmo equipamento e são todos eles submetidos as mesmas regras de disciplina e hierarquia, sejam quem forem civilmente. As liberdades civis devem se manter nesse campo.

A próprio conceito de que o filme é uma critica a guerra no Vietnã  em minha opinião é equivocado. O filme mostra a realidade da guerra confrontada com a consciência do indivíduo, e com o padrão de normalidade que muitos indivíduos perdem em prolongadas situações de combate. Nesse sentido, vejo que o problema, no caso específico do Vietnã eram as razões pelos quais os soldados americanos estavam combatendo os Vietcongues, e as razões pelas quais os Vietcongues estavam em sua terra defendendo-se de um ataque estrangeiro. O fato de o Vietnã estar dividido em dois e de um dos lados serem apoiados pelos EUA não muda nada, o fato é que havia uma guerra entre invasor, seja qual for a chancela que ele tivesse de um conterrâneo de seu inimigo, e invadido. O seguinte trecho mostra o que decorre deste fato: "os vietcongues nas horas vagas comiam arroz e carne de rato" e "só tinham duas opções para voltar para a casa: a morte ou a vitória". Apesar de tudo o que se possa dizer uma coisa é inegável: os vietcongues não tinham escolha.  Lutaram desesperadamente pois esse era a única realidade possível para eles. A defesa de sua causa era tudo. Eles tinham uma âncora que mantinham seu princípio de "normalidade" e "moral" (entre aspas, pois esse conceitos podem ser diferente para os vietcongues, dada a sua causa política) que fazia toda a diferença na sua determinação de combater. Para os americanos, depois de um tempo combatendo, ele não viam nenhuma razão para estar lá, lutando contra um inimigo que não tentava, ao menos imediatamente, invadir sua pátria e atingir a sua família. Em um momento extremo como a guerra, precisa-se de motivos fortes para se manter em combate com gana, e os vietnamitas tinham, nesse quesito, larga vantagem sobre os americanos.

Como verificado, uma situação extrema como a guerra põe à prova os conceitos e valores sociais dos indivíduos onde chegamos ao ponto de seu relacionamento com a sociedade. Para que a relação em sociedade seja plena, os indivíduos devem estar de acordo com a sociedade em sua estrutura funcional. Questões pontuais sempre serão objetos de discórdia, porém as bases da sociedade devem estar em consonância com as inclinações individuais, pois o indivíduo só goza da satisfação das necessidades sociais e dos benefícios que dela decorrem caso faça parte de uma coletividade, que por sua vez tem suas demandas para com o indivíduo, tal qual a defesa, sob a pena de deixar de existir, e consequentemente acabar com os benefícios que ela oferece a seus integrantes.

Os EUA não venceram a guerra, que não significa ser derrotado. Os Comunistas do Vietnâ não perderam a guerra, o que não significa terem vencido. Mas vê-se que os valores que motivaram os dois lados e os motivos que os sustentavam eram diferentes, com diferentes pesos, e ainda que possa objetar que esse não foi o motivo principal para o desfecho da guerra, deve-se ter ter clara a sua importância.