domingo, 29 de janeiro de 2012

AK-47 A Arma Que Mudou a Guerra. Larry Kahaner.

Nesse post eu interrompo por ora a sequência das minha impressões sobre o outro livro e venho falar deste. Faz tempo, mais de um ano eu acho, que tenho vontade de ler esse livro, simplesmente pelo título do mesmo. Tinha em mente ler esse livro rapidamente só por lazer, mas meu... ele abrange questões históricas, militares, geopolíticas e até culturais, que envolvem o famoso Fuzil que senti vontade de escrever sobre ele.

O livro conta sobre quando Mikhail Timofeevich Kalashnikov, um tenente de cavalaria, com algum conhecimento de mecânica, russo, lutou na segunda guerra, teve seu tanque atingido sendo o único da tripulação a sobreviver. No hospital, enquanto se recuperava, fez inúmeros esboços da arma que viria a ser o AK (Avtomatik Kalashnikov), movido pela obsessão de fazer uma arma que levaria sua Nação a vitória sobre os alemães e acabar com a guerra. Não conseguiu. Porém sua experiência como mecânico e experiência em combate aliados com sua vontade de fazer uma arma "pau pra toda obra" tiveram resultados.

Na segunda guerra mundial os alemães já tinham projetado e fabricado uma arma da nova geração. Uma arma de repetição, que carregava uma munição maior e mais destrutiva e com mais alcance do que as sub-metralhadoras que disparavam cartuchos com calibre de pistolas, porém com calibres menores do que as metralhadoras, muito pesadas e que necessitavam de um suporte para serem usadas, sendo utilizadas sobre veículos, em pontos fixos como bunkers e trincheiras. Essa arma era a o Sturmgewerhr 44, ST-44.
Apesar de ser considerado o primeiro fuzil de assalto do mundo, eles chupinharam essa ideia de um russo, pró-tzar (Vladmir Federov, avtomat Federov era o nome de sua arma), que tinha desenvolvido originalmente o conceito de uma arma com munição intermediária que proporcionariam grandes estragos por tropas infantes regulares.

O livro segue discorrendo sobre a historia do desenvolvimento do fuzil, de suar versões até chegar a original, que conhecemos, que só ficou pronta em 1947. Na corrida armamentista da Guerra-fria a Russia usava a arma para agariar países á sua causa, vendendo, doando, e dando concessões para que diversos países os fabricassem na sua própria pátria. Isso inundou o mundo com a AKs, sem contar o fato de que com o desmantelamento da União Soviética, com os arsenais militares transbordando de AKs e precisando de dinheiro, muitas nações na antiga URSS venderam essas armas para quem quisessem comprar.
Nações da África e do Oriente Médio foram os principais compradores/recebedores dessas armas, para financiar suas lutas de independência e guerras tribais. Os EUA e outros países não perceberam o quanto erras armas eram perigosas, até o vietnã.

No Vietnã a coisa ficou feia, quando toda a tecnologia da França e EUA pereceram ante combatentes de 1.5 de altura e 48 quilos que faziam oposição ferrenha ao soldados de constituição gaulesa/anglo-saxônica. De igual pra igual, principalmente por causa das armas, o AR-15, projetado pelos EUA como Fuzil de assalto padrão do exercito, não era páreo para a resistência do AK. Por ser concebido com medidas mais folgadas e com mecânica simples não cedia as interpéries do tempo, ao contrario dos AR-15 / M-16 dos americanos, que frequentemente emperravam deixando os combatentes ocidentais indefesos ante os vietcongues. Como diz o livro, a reputação do AK foi construída das plantações de arroz.

Na África e no Oriente médio as potências ocidentais realmente sentiram o poder do AK, quando soldados-criança, de 7 a 14 anos promoviam genocídios por rivalidades tribais, matando, pilhando, estuprando, mutilando em troca de drogas e dinheiro dos comandantes dessas guerrilhas. Filmes como Diamante de Sangue, Hotel Ruanda e Senhor das Armas falam disso.

O livro segue para a America latina, falando de Nicarágua, Sandinistas, traficantes, CIA, Panamá, Colômbia, Venezuela e ect. Essa parte impressiona e enoja pela corrupção e sujeiras dos governos dos EUA, mais especificamente da CIA, dos traficantes que usam ideologias politicas e dos grandes traficantes de armas. Agradeço a Deus por morar no Brasil. Pois tenho a impressão que o flagelo dos AKs não adentrou nosso país, sejam quais forem os motivos. Imagino o que aconteceria se o PCC ou o CV conseguisse um grande carregamento de AKs. Com armas uniformizadas, e as facilidades logísticas que elas proporcionam o Brasil realmente correria (mais) perigo.

Uma das partes mais interessantes, e que realmente me motivou a publicar esse texto foi a parte que fala sobre o encontro de Mikhail Kalashnikov com Eugene Stoner, inventor do M-16, o principal rival do AK, culturalmente falando. Sim culturalmente, pois militarmente a historia do AK é superior.
No encontro Stoner explica que recebe um dólar para cada M-16 vendido no mundo (imaginando que existem uns 6 milhões desses no mundo), enquanto Kalashnikov teve de ter roupas compradas pelas pessoas que o trouxeram para os EUA, pois não tinha roupas com um minimo de condições para um encontro casual que fosse (a  passagem e a viagem também foi paga por estas pessoas, entusiastas de armas, caçadores e de assuntos militares). Nesse encontro ele explicou que nunca recebeu nada pela sua invenção, pois tudo era do governo soviético. Ele era um herói nacional, porém não tinha dinheiro para viajar para fora do país.

Em uma visita a um campo de treinamento dos fuzileiros naval dos EUA:
"Kalashnikov, recebeu elogios inesperados do general de divisão Mattew P. Caulfield, que era o comandante adjunto de treinamento e educação, e diretor do Centro Aeroterrestre de Treinamento e de Educação dos Fuzilediroa Navais. Caufield comentou com o inventor: Eu tenho que admitir que pessoalmente preferiria disparar a sua arma em combate, Mr. Kalashinikov.
Esse cândido comentário veio de um soldado profissional que, como capitão, tinha comandado uma companhia no Vietnã."

Isso é mais uma prévia, pois não terminei o livro ainda, mas recomendo. Essencial para entender a balança de poderes que levam o mundo para lá e pra cá em seus conflitos e cessar-fogo. Ele não conta apensas a historia da arma, conta como, um homem determinado ( por vezes uma criança) armado com um fuzil, pode fazer valer sua vontade, e se forem muitos homens armados, podem conduzir um país à sua vontade mantendo distante qualquer outro poder militar que queira interferir. Não imptorando quanta tecnologia militar eles tenham à disposição,

"Aquele fuzil pendurado na parede do apartamento da classe trabalhadora ou na cabana do operário é o símbolo da democracia. É nosso dever cuidar para que ele fique lá." - George Orwell.

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